TomorrowCast Live | Kwai Summit 2025 — Quando cultura, tecnologia e criatividade moldam uma nova indústria brasileira

18 de novembro de 2025

A edição especial do TomorrowCast Live, gravada no palco principal do Kwai Summit 2025, marcou um momento-chave na conversa sobre o futuro do varejo, do conteúdo e da economia criativa no Brasil. Mas, antes mesmo de entrarmos no debate com Camila Ghattas, Viviane Vilela e Jorge Gloss, uma constatação moldou toda a narrativa do episódio: o que está acontecendo no Kwai hoje é a antecipação prática do que o Brasil viverá na próxima década.

Durante a abertura do programa, Camilo Barros, sócio do Institute for Tomorrow, claro que o motivo de termos ido à China nos últimos meses foi simples:
o varejo e a creator economy deixaram de ser setores separados. Com o avanço da tecnologia, eles se fundiram em uma nova indústria, onde conteúdo é jornada de compra, comunidade é canal de distribuição e onde o criador é também o vendedor.

E o Kwai é hoje a plataforma brasileira que melhor traduz essa transformação.

O Kwai como infraestrutura econômica

Ao observar de perto o ecossistema da Kuaishou — companhia que deu origem ao Kwai — entendemos que o vídeo deixou de ser apenas entretenimento para se tornar infraestrutura econômica. No mesmo feed onde circulam histórias, talentos e humor, circulam também renda, produtos, serviços e oportunidades.

E, como Camilo Barros apontou no palco:

“As novelas já são uma tradição aqui no Brasil. Os AI sellers já estão acontecendo aqui. O criador como vendedor, as lives como formato de e-commerce… tudo isso já está vivo no Kwai.”

Essa percepção é fundamental para entender a originalidade do momento atual:
o futuro não está apenas chegando ao Brasil — ele já está sendo produzido, testado e escalado por criadores brasileiros dentro da plataforma.

IA sellers, live commerce e a brasilidade como motor

O Kwai antecipou três movimentos que se tornaram estruturais no episódio:

1.⁠ ⁠Os AI sellers, criadores híbridos que combinam inteligência artificial e sensibilidade humana, abrindo um novo capítulo no comércio mediado por algoritmos.
2.⁠ ⁠A evolução das lives, que deixam de ser transmissões improvisadas para se tornarem operações profissionais de varejo — replicando, em escala brasileira, o que a China construiu ao longo de uma década.
3.⁠ ⁠A política de incentivo à produção local, que descentraliza visibilidade e renda, permitindo que criadores e vendedores de qualquer região encontrem público real.

Camilo destacou na abertura:

“Muito do que vimos na China já acontece aqui. O Kwai está trazendo esse futuro para o Brasil.”

Da China ao Brasil: a cultura como motor da inovação

O TomorrowCast tem percorrido o mundo observando transformações que nascem da interseção entre comportamento, tecnologia e economia. Em 2024 e 2025, nosso foco voltou-se para a China — hoje o maior laboratório vivo de futuros do planeta.

E foi exatamente essa perspectiva que Camila Ghattas trouxe ao palco. Segundo ela:

“A cultura gera comportamento, o comportamento gera dado, o dado gera produto — e o produto retroalimenta a cultura.”

Na China, inovação não nasce de laboratório. Nasce da vida real. Da observação cotidiana. Do hábito. Da repetição. Da experimentação. Da coletividade.

Camila explicou que a experimentação acelerada — errar rápido, ajustar rápido, aprender rápido — é um valor profundamente enraizado na cultura chinesa. É isso que impulsiona um ecossistema onde as pessoas testam, adotam e descartam produtos em velocidade quase impossível de replicar no Ocidente.

O Brasil tem uma oportunidade única: unir essa lógica de inovação com a potência da nossa diversidade cultural. Como ela afirmou no palco, “a China deixou de copiar o Ocidente; ela passou a exportar comportamento. O Brasil pode fazer o mesmo.”

O varejo que se transforma em entretenimento

Viviane Vilela, referência do ecossistema de varejo digital no Brasil, trouxe ao debate a fusão definitiva entre entretenimento e comércio. O live commerce, que vimos em operação nas bases da Kuaishou — companhia-mãe do Kwai — não é apenas um formato: é um sistema econômico.

A história que mais marcou a viagem foi a da agricultora que vendia chá por meio de transmissões ao vivo, na beira da estrada. Viviane descreveu assim:

“Toda aquela plantação estava vendida pela plataforma de live. A logística era tão eficiente que, ao final do dia, tudo seria coletado e entregue em qualquer cidade da China.”

Essa imagem sintetiza a descentralização econômica: tecnologia chegando às mãos de quem produz. Um novo tipo de inclusão — não baseada em assistencialismo, mas em infraestrutura digital capaz de gerar renda real.

Para Viviane, o Brasil não precisa importar modelos da China; precisa traduzir os seus próprios. “Já temos o live seller brasileiro há muito tempo. Faltava estrutura, dados e inteligência artificial para potencializar.”

Branding como coautoria cultural

Jorge Gloss apresentou o caso da JOVI, uma marca chinesa que precisou renascer culturalmente para entrar no Brasil. Ele contou:

“A JOVI chegou como uma marca gigante na China. Mas aqui, precisava ser outra coisa. Aproveitamos o limão e fizemos uma limonada — e uma caipirinha.”

Esse processo não foi sobre adaptar linguagem, mas sobre repensar produto, serviços, proposta de valor e narrativa para a multiplicidade cultural do país. Para Jorge, essa é a essência da nova era do branding:

“O Brasil são vários brasis. Cada criador conta a história de um jeito diferente.”

Na era da influência distribuída, marcas deixam de controlar — e passam a cocriar. Deixam de falar — e passam a ouvir. Tornam-se parte da comunidade, não apenas emissoras.

O que conecta China e Brasil

Apesar das diferenças, Brasil e China compartilham algo fundamental: culturas vivas, expressivas, identitárias, capazes de transformar comportamento em economia.

Camila resumiu isso com precisão:

“O Brasil passa muito tempo olhando para fora. Precisamos olhar para dentro, usar nossas forças de maneira autêntica e comunicar isso para o mercado.”

O Kwai materializa essa conexão. Ao descentralizar produção, impulsionar criadores regionais e acelerar novos modelos de conteúdo e comércio, a plataforma aproxima os dois países não pela tecnologia em si, mas pela lógica: cultura como infraestrutura econômica.

Encerramento: o futuro fala português

O episódio se encerrou com a síntese que guia nosso trabalho no Institute for Tomorrow:

“O futuro da inovação não está nos algoritmos, está nas pessoas.”

Está na criatividade distribuída, no conteúdo que vira renda, nas novas formas de comércio baseadas em comunidade, na cultura que transforma dados em economia.

O TomorrowCast Live no Kwai Summit 2025 foi mais do que uma gravação.
Foi a confirmação de que o Brasil possui matéria-prima única para criar um modelo próprio de futuro: humano, cultural, tecnológico e profundamente autêntico.

Assista o episódio completo no Spotify ou no Youtube, se inscreva e ative as notificações.

O futuro já começou. E ele está acontecendo aqui.

Kwai Summit 2025

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