Talks by REC – Download SXSW 2026 – Ep.02 – Creator Economy, IA e o futuro das marcas na era das comunidades

19 de maio de 2026

O SXSW 2026 consolidou uma percepção que atravessou praticamente todos os debates do festival: não estamos mais vivendo apenas uma transformação tecnológica. Estamos vivendo uma transformação profundamente humana.

Depois de anos em que inteligência artificial, automação e plataformas dominaram o centro das conversas, Austin deixou um recado claro para o mercado: tecnologia sem humanidade gera saturação, ansiedade e irrelevância cultural.

É exatamente sobre essa tensão, entre escala tecnológica e autenticidade humana, que gira o segundo episódio da série especial “Talks by REC – Download SXSW 2026″, do TomorrowCast.

Gravado durante o Download For Tomorrow SXSW 2026, realizado pela For Tomorrow em parceria com a Community Creators Academy, o episódio reuniu Antonio Netto da Pullse, Luiz Menezes da Trope-se e a executiva de marketing Anna Paula Martins para uma conversa sobre creator economy, novas gerações, comportamento, comunidades e o futuro do marketing. A mediação ficou por conta de Emerson Souza, sócio e diretor do REC, parceiro desta série de talks.

O episódio mostra como o mercado começa a perceber que creators deixaram de ser apenas canais de mídia ou amplificadores de campanha. Eles se tornaram infraestrutura cultural das marcas.

O fim da era da “trend pela trend”

Logo no início da conversa, Antonio Netto resume uma das grandes sensações do SXSW 2026:

“Eu cheguei lá pensando: qual é a próxima tendência depois da IA? E a resposta era: não é sobre IA, é sobre humano.”

A fala sintetiza um dos movimentos mais fortes do festival: o cansaço da hiperautomação emocionalmente vazia.

Ao longo dos últimos anos, o mercado passou a perseguir fórmulas de viralização, hacks de algoritmo, estruturas prontas de conteúdo e modelos replicáveis de crescimento. O problema é que a consequência disso foi a pasteurização da internet.

Luiz Menezes aprofunda essa reflexão ao comentar um dos painéis mais provocativos do SXSW:

“Estamos oficialmente na era da pasteurização do conteúdo.”

Segundo ele, a culpa não é apenas da IA generativa. O próprio mercado ajudou a construir esse cenário ao transformar criação em fórmula repetitiva:

“A gente ficou buscando fórmula pronta de como operar a rede social.”

O SXSW 2026 trouxe um alerta importante: em um mundo onde qualquer pessoa consegue gerar textos, vídeos, imagens e campanhas em segundos, o diferencial competitivo deixa de ser produção. Passa a ser identidade.

A creator economy entra em uma nova fase

Outro ponto central da conversa foi a evolução da creator economy.

Luiz relembra que, nos primeiros anos, creators eram vistos como apoio de comunicação. Hoje, tornaram-se peças estruturais do negócio:

“Creators são peças fundamentais do meu negócio.”

Essa mudança altera profundamente a forma como marcas constroem relevância.

A lógica da audiência massificada perde espaço para redes de influência menores, mais específicas e culturalmente conectadas. Não é mais apenas sobre alcance. É sobre conexão contextual.

Antonio Netto explica que o mercado atravessa uma nova etapa da influência digital:

“A mensagem genérica mais massificada vai perdendo cada vez mais espaço.”

No lugar das campanhas amplas e homogêneas, surge um ecossistema fragmentado de comunidades, nichos e microculturas.

O marketing passa a operar muito mais próximo da lógica de pertencimento do que da lógica tradicional de interrupção.

Comunidade deixa de ser discurso e vira infraestrutura

Poucas palavras apareceram tanto no SXSW 2026 quanto “community”.

Mas o episódio também levanta um ponto importante: comunidade não pode virar apenas mais uma buzzword corporativa.

Quando Emerson Souza questiona como criar comunidades sem cair em fórmulas prontas, Anna Paula Martins responde de forma direta:

“Criar comunidade é fazer de maneira genuína.”

Essa talvez seja uma das grandes mudanças do marketing contemporâneo: marcas precisam deixar de apenas comunicar para começar efetivamente a participar da cultura.

Isso exige escuta, convivência, repertório e vulnerabilidade.

Anna também conecta essa discussão ao aumento da solidão, da ansiedade e da crise de pertencimento acelerada pelas redes sociais:

“As comunidades trazem um senso de pertencimento que faz as pessoas se sentirem menos isoladas.”

Nesse cenário, creators se tornam mediadores emocionais entre marcas e pessoas.

Mais do que vender produtos, eles ajudam a construir identidade, linguagem e conexão social.

O Brasil como potência cultural da internet

Um dos momentos mais interessantes do episódio acontece quando a conversa sai do eixo tecnológico e entra no contexto brasileiro.

Luiz Menezes destaca como muitas tendências apresentadas nos Estados Unidos como novidade já fazem parte da realidade brasileira há anos:

“Muito daquilo que é tendência no Vale do Silício, na verdade era a nossa realidade aqui há muito tempo.”

A precariedade histórica brasileira acabou formando uma geração extremamente adaptável, criativa e resiliente.

Enquanto mercados mais maduros descobrem agora comportamentos ligados à improvisação, compartilhamento e reinvenção econômica, o Brasil desenvolveu isso como sobrevivência cultural.

Essa capacidade improvisadora, somada à força das redes sociais, ajudou a transformar o país em uma das maiores potências globais de criação de linguagem digital.

“Nunca foi tão legal ser brasileiro quanto atualmente.”

IA não elimina o humano — ela aumenta a necessidade dele

Apesar da forte presença da inteligência artificial nas discussões do SXSW 2026, o episódio reforça um consenso cada vez mais claro: IA não substitui humanidade. Ela amplifica a necessidade dela.

Anna Paula Martins resume bem essa tensão:

“A potência ainda é humana em qualquer base tecnológica.”

O desafio das empresas agora não é apenas implementar IA. É desenvolver maturidade crítica, cultural e emocional para trabalhar junto dela.

O debate deixa claro que o futuro do marketing não será definido apenas por ferramentas mais eficientes, mas pela capacidade das marcas de permanecerem humanas em um ambiente cada vez mais automatizado.

O futuro do marketing será mais relacional, menos publicitário

Se existe uma conclusão forte deste episódio, talvez seja esta: o marketing está deixando de operar como propaganda para operar como relacionamento contínuo.

A creator economy não é apenas uma tendência de mídia. Ela representa uma reorganização estrutural da influência, da comunicação e da construção de confiança.

No SXSW 2026, ficou evidente que as marcas mais relevantes do futuro serão aquelas capazes de construir ecossistemas culturais vivos, conectando creators, comunidades, experiências e tecnologia de forma autêntica.

Porque, no fim, em um mundo onde tudo pode ser gerado artificialmente, aquilo que continua raro é justamente o que parece mais humano.

Este é o segundo de três episódios especiais gravados durante o Download SXSW 2026.

Assista em sua plataforma preferida e se inscreva para não perder nenhum episódio.

Spotify

Youtube

Os Talks by REC são uma realização do REC, em parceria com a For Tomorrow e a Community Creators Academy.

Compartilhe

Newsletter

Ao se inscrever você concorda com os termos da Política de Privacidade