Existe um consenso silencioso se formando no mercado: a Creator Economy não cabe mais nas métricas, práticas e vícios herdados da publicidade tradicional. O episódio do TomorrowCast com Flávio Santos, CEO da mfield, escancara esse ponto com clareza rara.
Estamos diante de um setor em ebulição, impulsionado por paixão, criatividade, tecnologia e, sobretudo, convergência com varejo, dados e resultado. O influenciador deixa de ser apenas um canal de mídia e passa a operar como agente econômico, seller, dono de IPs e participante direto do sucesso (ou fracasso) do negócio.
Do alcance ao resultado: a virada da monetização
Um dos deslocamentos mais relevantes discutidos no episódio é a migração do modelo de monetização. O cachê fixo perde protagonismo para métricas de negócio: GMV, success fee, participação em resultado e propriedade intelectual.
Esse movimento exige maturidade — e resistência não falta. Há entraves culturais, conflitos de interesse, dependência de BV e uma lógica de mercado ainda viciada em métricas de vaidade. Mas o caminho é inequívoco: criadores que entendem sua audiência como comunidade e não como volume passam a construir ativos próprios, replicáveis e escaláveis.
IPs deixam de ser “projetos especiais” e passam a ser estratégia central.
O Mapa da Influência como instrumento de maturidade do mercado
Para organizar esse cenário complexo, a mfield desenvolveu o Mapa da Influência, um estudo autoral que transforma percepções difusas em insights documentados e acionáveis.
O material foi construído a partir de:
social listening estruturado,
123 entrevistas com agentes do ecossistema,
67 páginas de análise,
mais de 10 debates internos,
e um processo formativo conduzido por jovens talentos do programa M-START.
O resultado não é um relatório preditivo, mas um instrumento de leitura do presente — algo que ajuda marcas, criadores e intermediários a tomarem decisões melhores em um mercado instável e não linear.
O estudo pode ser acessado em:
https://www.mapadainfluencia.com.br/
Como Flávio destaca no episódio, o Mapa funciona quase como um “TCC interno”: organiza pensamento, gera conversa, constrói credibilidade e abre portas comerciais, ao mesmo tempo em que amadurece a visão estratégica da própria empresa.
Autenticidade no centro: comunidades e micromovimentos
No centro do Mapa — e da conversa — está a autenticidade. Comunidades e micronichos entregam engajamento, conversão e longevidade superiores aos grandes perfis massificados. Não por acaso, o período é definido como o “ano da autenticidade”.
Isso se traduz em decisões práticas:
conteúdos menos roteirizados,
projetos menos engessados,
mais espaço para verdade, erro e processo.
Esse movimento não é romântico. É pragmático: conteúdo mais humano performa melhor, constrói relação e sustenta negócios no médio e longo prazo.
Tecnologia e IA como infraestrutura invisível
Outro ponto-chave do episódio é o papel da tecnologia. Aqui, a provocação é direta: a IA deve desaparecer do discurso e aparecer no resultado.
Ela opera como infraestrutura silenciosa para:
identificar criadores aderentes,
mapear formatos de maior desempenho,
integrar BI do social listening ao pós-venda,
garantir compliance,
e otimizar decisões em tempo real.
Em programas de grande escala — como iniciativas de varejo que formam milhares de criadores em poucos meses — a IA não substitui o humano: ela viabiliza a operação.
Profissionalização: inevitável, desconfortável e inadiável
A profissionalização da Creator Economy é consenso, sua implementação, não. Exige processos, contratos, notas fiscais, prazos, relatórios, governança e capacidade de dizer “não” quando o formato não faz sentido estratégico.
Iniciativas como o Draft by mfield surgem como resposta prática a essa lacuna: aceleração, investimento direto, educação básica (NF, contratos) e construção de tecnologia própria para romper com vícios históricos da indústria.
Trata-se menos de glamour e mais de estrutura.
China, esporte e a ampliação do jogo
O episódio também amplia o horizonte. A China aparece como laboratório avançado, onde awareness, engajamento e conversão operam de forma integrada, com uso intensivo de IA operacional. O aprendizado não está em copiar, mas em mapear e traduzir.
Ao mesmo tempo, a convergência com esporte e entretenimento – como no caso da Kings League – mostra como creators, comunidades e negócios passam a ocupar novos territórios culturais e econômicos.
Creator economy é economia
A mensagem final do episódio é clara: a Creator Economy precisa ser tratada como economy. Uma cadeia produtiva completa, com ativos, risco, retorno, método e visão de longo prazo.
Autenticidade orienta decisões. Comunidades impulsionam performance. IA sustenta escala. Relatórios autorais como o Mapa da Influência ajudam o mercado a sair do improviso e operar com mais clareza.
Sem esperar por regulamentação, o setor avança por quem faz, testa, documenta e estrutura.
Episódio completo em sua plataforma preferida:
