O SXSW anunciou nesta semana 327 sessões para a edição de 2027, que acontece em Austin de 15 a 21 de março. É o maior anúncio de programação da temporada, e todas as sessões saíram do PanelPicker, o processo em que a comunidade propõe painéis e a organização seleciona.
Foram mais de 3.300 propostas.
Eu leio esse número como pesquisa. Antes de qualquer palco montado, milhares de profissionais de tecnologia, marca, saúde, música e cinema disseram ao festival o que consideram urgente. O recorte que a organização publicou sobre essas propostas vale tanto quanto a lista de nomes, porque mostra onde está a atenção de quem vai ocupar Austin em março.
As cinco trilhas com mais submissões foram Tech & AI, Workplace, Brand & Marketing, Health e Creator Economy. A inteligência artificial voltou a ser o tema mais proposto. Os dados que acompanham essa liderança contam a parte mais interessante da história.
O “se” entre parênteses
Greg Rosenbaum, vice-presidente sênior de programação do SXSW, afirmou que o festival deixou para trás a fase teórica da IA e entrou numa era pragmática. A pergunta que ele propõe para 2027 trata de como a tecnologia se integra à vida cotidiana e criativa, e ele acrescenta entre parênteses: “or if”. Esse “se” é o dado editorial mais forte do anúncio. A organização do principal festival de inovação do mundo registra em comunicado oficial que a integração ainda está em aberto.
As propostas confirmam a dúvida. Confiança apareceu em 19% de todas as submissões, como prioridade paralela à IA. Comunidade apareceu em 17%. Cresceu também o volume de temas sobre conexão humana, saúde mental e os efeitos psicológicos do ambiente digital. Rosenbaum chama esse conjunto de contramovimento.
Eu leio as duas curvas como uma só. Quanto mais a IA entra na operação das empresas, mais valor migra para aquilo que ela não entrega sozinha: confiança, pertencimento e julgamento. Para o executivo brasileiro, a consequência é prática. O plano de 2027 precisa tratar adoção de IA e construção de confiança como o mesmo projeto, com o mesmo orçamento e a mesma liderança.
Seis sessões para ler o ano
John Maeda, do GitHub, volta a Austin com o Design in Tech Report 2027, desta vez dedicado aos custos e benefícios do AX, a experiência do agente. Maeda traça o caminho do SEO até os agentes e discute o que muda quando o trabalho do designer passa a incluir os sistemas pelos quais agentes de IA agem, além das interfaces que as pessoas usam. Para marcas e varejistas, a pergunta chega rápido: o seu produto, o seu catálogo e a sua jornada de compra estão legíveis para um agente que compra em nome do cliente?
Jonathan Adashek, da IBM, e Mike Treff, da Code and Theory, discutem o fim da separação entre comprar software de um fornecedor e serviços de outro. Os dois constroem o novo modelo a partir de lados opostos da mesa. Quem contrata agência, consultoria ou integrador deveria assistir com o contrato atual aberto ao lado.
Melanie Cook, da VaynerMedia, parte de uma constatação simples: a IA tornou respostas críveis abundantes, instantâneas e baratas. A sessão trata do pensamento que fica mais caro nesse cenário, com foco em trabalho profundo, pensamento original, gosto e a capacidade de reconhecer o que é bom.
Na economia dos criadores, um painel com Avi Gandhi, Brooke Duffy, Jeff Barrett e Shira Lazar discute os criadores como uma força de trabalho que ainda opera sem proteção nos Estados Unidos. Em games, Charles Hambro, da GEEIQ, analisa como GTA 6 incorporou a lógica de plataforma de criadores que o Roblox consolidou, e o que isso abre para marcas. Em Cities & Climate, Thomas Kiessling, da PassiveLogic, apresenta a IA física aplicada à infraestrutura urbana, com efeito sobre consumo de energia, capacidade da rede e descarbonização.
Esses nomes se somam aos já anunciados em setembro, com Timnit Gebru, fundadora do Distributed AI Research Institute, como keynote, e Amy Webb com o Technology Convergences 2027.
Depois do funeral
Em março de 2026, Amy Webb subiu ao palco do SXSW de capa preta, com velas, coroas de flores e música fúnebre, para enterrar o Emerging Tech Trend Report, o relatório que apresentava no festival havia 15 anos. O argumento do funeral era direto: um relatório anual de centenas de páginas registra um instante e já chega desatualizado quando o ambiente muda nesse ritmo. No lugar dele, a CEO do Future Today Strategy Group lançou o Convergence Outlook, com dez convergências, e detalhou três no palco: humanos aumentados, trabalho ilimitado e terceirização emocional.
Webb tomou emprestada uma imagem da meteorologia para explicar a troca. As tendências são os dados isolados do tempo, e as convergências são as tempestades que se formam quando essas forças se encontram. Na formulação dela, a tendência registra o que está mudando e a convergência indica o que vai se tornar inevitável.
Em 2027 ela volta a Austin para lançar o Technology Convergences 2027. O conteúdo ainda não foi divulgado. Será o primeiro ciclo completo do novo método, e a primeira vez em que Webb terá de mostrar em público quais das tempestades apontadas em 2026 ganharam força, quais perderam intensidade e quais apareceram no caminho. Os dados do PanelPicker indicam onde olhar. A terceirização emocional conversa com os 19% de propostas sobre confiança e os 17% sobre comunidade, e o trabalho ilimitado encontra a trilha de Workplace no ano do seu maior crescimento.
Como designer de futuros, acompanhamos essa virada de método com atenção particular, porque ela descreve o exercício que fazemos todos os dias nos wrap ups da Journey: colocar na mesma mesa o que foi dito em trilhas diferentes e procurar o ponto em que as forças se cruzam.
A idade adulta do trabalho e do criador
Workplace foi a trilha com o maior crescimento de submissões em relação a 2026. O conteúdo das propostas também mudou. O debate sobre a volta ao escritório, que ocupou as últimas edições, abriu espaço para estratégias de liderança, cultura e equilíbrio de longo prazo, com peso grande para as habilidades comportamentais.
A economia dos criadores fez o mesmo movimento. As propostas de 2027 tratam de como construir negócios sustentáveis liderados por criadores, com a viralização em segundo plano. Na música, o tema da proteção ganhou corpo técnico: a coalizão de rotulagem de música gerada por IA, formada por IFPI, RIAA, Grammys, SAG-AFTRA e outras entidades, agora exige que gravadoras, distribuidoras e plataformas apliquem detecção em tempo real.
Os três temas apontam para o mesmo lugar. Depois de alguns anos de resposta à disrupção imediata, o mercado começou a desenhar estruturas que durem. Esse é o ponto em que tendência vira decisão de orçamento, e é por isso que 2027 me parece um ano especialmente útil para estar em Austin.
Atravessar Austin com método

As 327 sessões anunciadas são o primeiro grande lote de uma programação que passa de 500 talks, distribuídas em 11 trilhas e espalhadas pela cidade. Os destaques acima já mostram o problema: Maeda está em Design, Cook em Workplace, os criadores em Creator Economy, a IA física em Cities & Climate. A leitura que interessa ao negócio nasce do cruzamento entre elas, e ninguém consegue assistir a tudo.
A Journey For Tomorrow existe para fazer esse cruzamento. Há mais de dez anos levamos executivos brasileiros ao SXSW com um método em três tempos, e mais de 350 executivos já fizeram esse percurso conosco.
Antes da viagem, um mapeamento de interesses orienta a curadoria das trilhas e sessões mais relevantes para o perfil do grupo, apresentada ao vivo na Upload Session presencial de 4 de fevereiro. O grupo participa ainda de sessões de imersão e de um encontro exclusivo com a organização do SXSW.
Em Austin, o grupo se reúne todos os dias em sala privada para o wrap up, encontro em que discutimos os talks da véspera e conectamos o que cada participante viu com o repertório dos demais. Um overview diário com insights e dicas de programação chega pelo grupo de conteúdo, e especialistas da For Tomorrow acompanham a jornada do início ao fim.
Depois do festival, realizamos o Download For Tomorrow em 15 de abril e entregamos o Report For Tomorrow completo em 20 de abril. Os dois estão garantidos para quem vai com a gente.
Participantes da missão têm acesso à credencial Platinum por US$ 1.180 com sales tax incluído, contra o valor de referência de US$ 1.495 mais taxas. A credencial do grupo dá acesso ao Group Connections Lounge no JW Marriott, ponto de encontro com outras delegações internacionais e com as equipes do SXSW, e inclui briefing personalizado com os organizadores. Essa condição vale para inscrições feitas até 310 de novembro. A Journey custa US$ 850, em até 5 parcelas no cartão.
Se você decide o que a sua empresa vai fazer com IA, marca, comunidade ou talento em 2027, venha ler esse festival conosco. Quero participar da Journey SXSW 2027
Detalhes completos da missão em iftomorrow.institute.
