Web Summit 2025. A mais importante de sempre.

Web Summit 2025

Será que o maior evento de tecnologia tem a capacidade de nos voltar a surpreender?

Lisboa, Fevereiro de 2012, vésperas da inauguração da Startup Lisboa. Toca o telefone da agência. Do outro lado, o João Vasconcelos. “Não temos porta chaves. O Presidente da Câmara vai entregar as chaves às primeiras startups e não temos nada simbólico que marque o momento.”

Olhei para a equipa. Devolveram-me aquele olhar: “o que foi agora”. Tínhamos acabado de montar toda a decoração do espaço da Rua da Prata com retratos de grandes inovadores, tudo feito em modo pro bono, fora de horas, como é normal.

Então sugiro: “E se fossem balões? Balões simbolizam que aquela chave vai fazer a startup deles subir e crescer. Up!”. 

Do outro lado um silêncio. Dois silêncios. E depois: “Sim, estou a ver. Prendemos as chaves a balões com hélio e com o nosso logotipo. Isso mostra que a Startup Lisboa faz as empresas voar. Quem sabe até ao espaço.”

“É isso mesmo”, respondi, enquanto pensava como ia dizer ao terceiro e ao quarto João, o Rodrigues e o Corticinho, que tínhamos 9 horas para encontrar balões para uma cerimónia oficial com o António Costa.

Na manhã seguinte, as chaves estavam lá. A elevar as startups, o evento e o sorriso do João. O momento ficou gravado e hoje representa o início de uma coisa muito especial.

Infelizmente o João Vasconcelos já não está entre nós. Tirou várias ideias do papel e meteu o ecossistema a mexer e a comunicar. Foi um dos principais responsáveis por fazer de Lisboa a casa da Web Summit.

Lisboa não entrou nesta história por acaso

A Web Summit chegou a Lisboa em 2016 e encontrou uma cidade com fome de futuro. Lisboa não ficou apenas como anfitriã. Tornou se personagem principal. Com contrato até pelo menos 2028, a cidade está na linha da frente do circuito global da inovação.

Portugal deixou de ser a nota simpática do rodapé para ganhar espaço no texto principal da tecnologia e do empreendedorismo. Continuamos com desafios de justiça social para quem aqui vive e trabalha, mas esta semana de novembro acelera a discussão certa e dá palco a quem está a construir valor.

Este contexto não nasceu sozinho. Cresceram incubadoras e aceleradoras, universidades aproximaram se da indústria, comunidades como a 351 – Associação Portuguesa de Startups criaram ligações e uma nova geração de founders passou a partilhar conhecimento sem medo. A Web Summit não inventou o ecossistema, mas amplificou voz, encurtou distância e deu calendário a uma ambição que já existia.

O impacto dentro e fora do recinto.

Em 2016, a primeira edição em Lisboa recebeu cerca de 53 mil participantes. Em 2024, foram mais de 71 mil vindos de perto de 150 países. O impacto económico direto e indireto subiu edição após edição e já se fala de valores que rodam as centenas de milhões de euros por ano.

Mais do que números, interessa o efeito cultural e profissional. A semana da Web Summit tornou se a janela para lançamentos, para pilotos de colaboração entre empresas e startups, para encontros que geram projetos e não apenas cartões. A presença feminina cresceu no público e nos palcos. Hoje a expressão women in tech deixou de ser lateral para ocupar centro de agenda, com um número sempre maior de mulheres a liderar startups, fundos e equipas de produto.

Na lista de casos que todos reconhecemos, estão nomes como Farfetch, OutSystems, Talkdesk, Sword Health, Remote e Feedzai. São sinais de que o país aprendeu a combinar talento, capital e rede. A Web Summit ajudou a acelerar encontros, a dar palco e a chamar atenção internacional para o que aqui se faz.

Mas o impacto sai fora das paredes do recinto. Hoje a Portugal Tech Week, um evento focado em mapear todos os eventos que acontecem durante a Web Summit, do lado de fora do recinto, mapeou em 2024 mais de 300 eventos, espalhados por 20 cidades portuguesas.

E cá estamos nós, em 2025, a caminho daquela que, a meu ver, é a Web Summit mais importante de sempre.

2025 marca a mudança de fase

Menos ruído e mais substância. A cultura do evento acompanha esta viragem. O brilho do palco continua, mas o valor real acontece nos encontros onde problemas concretos encontram respostas claras. Liderar um ecossistema implica definir padrões de qualidade, de ética e de colaboração. E é isso que a Web Summit faz quando convoca setores que antes não se cruzavam, quando aumenta diversidade nas equipas que sobem ao palco e quando promove decisões que sobrevivem ao entusiasmo da semana.

Patrocínios em transição
Do ponto de vista dos patrocinadores emblemáticos, vejo uma mudança clara. Menos marcas em modo vitrina e mais países e cidades a marcar presença com estratégia. Todos querem captar talento e investimento. Ao mesmo tempo, as grandes marcas que já entenderam as regras preferem investir o patrocínio em ativações que as fazem parecer inovadoras porque estão realmente a inovar. Isto abre espaço para as próprias startups aparecerem com destaque e conquistarem atenção qualificada.

Reposicionamento do evento
Depois de tudo, a Web Summit passa por um momento de reposicionamento para se manter relevante no setor. Desde a fundação, tornou se um evento de conteúdo que atraiu curiosos para ver de perto os monstros da tecnologia. Passado o pico do hype, faz sentido voltar ao território nativo e ao mesmo tempo ampliar o alcance global através de edições irmãs e parcerias internacionais. Basta olhar para a forma como a Web Summit reclama o seu papel no lançamento de unicórnios como a Revolut, a Canva e até a Uber. É narrativa, sim, mas também é posicionamento e ambição.

Sinais que espero ver no terreno

  • Meta e outras marcas importantes a regressar com presença que criam valor real

  • Mais startups com produto, clientes e métricas, prontas para conversas de escala

  • Mais investidores com foco em decisão e não apenas em presença

  • Masterclasses com profundidade, frameworks claras e exemplos replicáveis em empresas reais

AI aplicada ao dia-a-dia

Em 2024 quase tudo dizia IA. Em 2025 a IA passa a verbo. Equipas integram modelos em processos com ganhos claros de custo, velocidade e qualidade. A conversa sobe de nível e entra em temas como avaliação de modelos, governação, privacidade por desenho e explicabilidade. A tecnologia amadurece e com ela amadurece a cultura de uso.

Verticais onde a mudança já se sente
• Saúde digital e medtech: triagem assistida, fisioterapia remota com sensores, apoio ao diagnóstico com validação humana e proteção de dados desde a origem
• Finanças e risco: deteção de fraude, scoring explicável, automação de compliance e onboarding com menos fricção
• Retalho e consumo: personalização em tempo real, logística preditiva, media no retalho com medição séria
• Indústria criativa e marketing: geração e edição multimodal integradas no fluxo de produção, não apenas em campanhas
• Cibersegurança: análise comportamental e resposta assistida que aumentam alcance de equipas pequenas
• Clima e energia: previsão de consumo, manutenção preditiva e otimização de redes com fontes distribuídas

A liderança passa por mostrar como se faz, com ética aplicada e métricas abertas. Mais do que prometer, interessa explicar, demonstrar e partilhar padrões que toda a gente pode seguir.

 

Como olhamos para isto com a lente do Institute for Tomorrow

Não é tanto falar sobre o futuro. É sobre experimentar o futuro.
Nós no Institute for Tomorrow acompanhamos a Web Summit desde sempre, ainda antes de chegar a Lisboa. Para quem trabalha com tendências e vive de antecipar o que vem aí, este evento é fonte de referência. Vale menos a conversa filosófica sobre o que poderemos ser daqui a uns anos e vale mais o momento em que vemos o futuro a acontecer à nossa frente.

Vejo isso nos lançamentos de novos produtos e serviços. Vejo nas aplicações de tecnologia a resolver problemas do dia a dia. Vejo no corredor Alpha e no corredor Beta, onde equipas mostram em primeira mão aquilo que amanhã vai mudar processos, modelos de negócio e hábitos de consumo. É ali que está o ouro. Para mim, enquanto investidor e enquanto alguém que vive com a cabeça no futuro, a Web Summit é o lugar certo para confirmar sinais, separar ruído e perceber o que realmente vai acontecer.

O nosso foco está em três frentes muito claras:
• Identificar onde a inovação já cria valor real e imediato
• Acompanhar equipas e ideias que mostram provas no terreno e ambição para escalar
• Traduzir aprendizagens em decisões para marketing, comunicação e design que façam diferença já hoje

Em resumo, vamos à Web Summit para viver o futuro por dentro. Para sentir a energia de quem faz, para aprender com o que funciona e para trazer essa energia de volta ao ecossistema em Portugal.

Algumas perguntas que nos ajudam a avançar

  • A audiência está a crescer em diversidade e profundidade de competências
  • As startups portuguesas chegam com produto, clientes e resultados que sustentam escala
  • As grandes marcas mantêm compromisso com experiências úteis e colaboração aberta
  • A IA está a ser usada para transformar processos com responsabilidade e ganhos medidos
  • Portugal captura o valor desta semana e prolonga o efeito ao longo do ano

A Web Summit mais importante é sempre a próxima

A edição de 2025 afirma mudança e eleva responsabilidade. Um evento com a escala e a confiança da Web Summit lidera a conversa quando mostra caminho, chama os melhores, dá espaço a quem traz soluções e mantém a fasquia alta para todos. Este é o lugar onde se experimenta o futuro por dentro e onde Lisboa, Portugal e o nosso ecossistema reforçam a sua voz no mapa do mundo. E como a tecnologia, a Web Summit mais importante é sempre a que vai sair.

 

Se nos cruzarmos por lá, tragam curiosidade e vontade de construir. Às vezes o futuro começa com um balão porta-chaves a subir. Depois ganha corpo numa cidade inteira que aprende depressa e numa comunidade que decide ir mais longe.


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