Web Summit 2025 – último Dia: A IA como utilidade pública, a criatividade em xeque e o marketing que procura adesão

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O derradeiro dia da Web Summit concentrou vozes do espectáculo, da tecnologia e do marketing em torno de uma pergunta prática: como transformar os avanços da inteligência artificial em utilidades que amplifiquem valor, sem destruir os mercados que as alimentam. Debateram-se três temas interligados, e delineou-se um conjunto de recomendações pragmáticas. A conversa cruzou autoria e remuneração na economia criativa, governança e confiança na infraestrutura da internet, e a necessidade de métricas que privilegiem profundidade de uso em vez de mero alcance.

AI e criatividade, o novo contrato social

A emergência de modelos generativos força um choque de interesses entre plataformas, agentes de distribuição e criadores. Joseph Gordon-Levitt lançou um aviso directo sobre a sustentabilidade da economia criativa, defendendo mecanismos que assegurem atribuição e compensação contínua quando o trabalho de um autor alimenta modelos de IA. Como disse Gordon-Levitt,

“aceitar o uso massivo de conteúdos sem compensação é assinar uma nova servidão digital”

imagem contundente que resume a sua proposta: não basta reconhecer autoria, é preciso remunerá-la de forma recorrente, via sistemas de proveniência e partilha de receitas. A proposta implica mudanças técnicas, contratos e regras de mercado que permitam que o criador capture parte do valor que os modelos extraem das suas obras.

 

Confiança, regulação e a arquitectura da internet

A confiança não aparece por defeito técnico, aparece por desenho institucional. Especialistas e reguladores discutiram medidas que alinhem incentivos, desde normas de atribuição até requisitos de transparência e mecanismos de responsabilização para plataformas. O debate salientou que políticas bem desenhadas podem evitar a concentração de rendimentos e a erosão da qualidade informativa. A urgência é dupla: criar regras que protejam o interesse público, e ao mesmo tempo permitir experimentação que gere utilidade real aos cidadãos.

 

Marketing, produtos e a métrica que importa

As empresas já não se satisfazem com métricas superficiais de audiência; procuram profundidade de uso. Alex Schultz, CMO da Meta, formulou esta prioridade de forma clara: “We’d like to see them using the smart glasses, we’d like to see them engaging with the AI”, frase que expõe a mudança de objectivo comercial, de alcance para envolvimento. A consequência é prática: as equipas de produto deverão desenhar experiências que provoquem uso repetido, e as equipas de marketing deverão medir retenção, frequência e valor experiencial, não apenas impressões e cliques.

Sumário de insights acionáveis

  1. Reformule o contrato com criadores, assine com mecanismos de atribuição e pagamentos continuados quando os seus conteúdos alimentam modelos de IA. A proposta de Gordon-Levitt clama por sistemas de proveniência e partilha de receitas, não por «acordos únicos».
  2. Mida profundidade de uso, não só alcance. Testes de produto devem privilegiar KPIs que capturem utilização efectiva de hardware e agentes conversacionais, tal como propõe Meta.
  3. Invista em infraestruturas de confiança. Reguladores e empresas devem cooperar para criar normas que permitam inovação com responsabilização, evitando soluções que troquem futuro por ganhos imediatos.
  4. Crie modelos de monetização contínua. A lógica de «comprar dados uma vez» fere a economia criativa. Negócios que pagam pelo uso contínuo do contributo criador constroem ecossistemas mais sustentáveis.
  5. Experimente localmente, escale com cuidado. Pilotos que provem utilidade imediata, apoiados por métricas de retenção e impacto, reduzem risco regulatório e aumentam aceitação social.

 

 

Web Summit 2025
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Web Summit 2025: inovação imediata, economia criativa em risco e a ascensão de novos hubs

O Web Summit 2025 reafirmou que a conversa sobre IA deixou de ser apenas técnica, passou a centrar arranjos económicos, institucionais e de produto que vão decidir quem beneficia da transformação, com três ideias dominantes e duas perspetivas adicionais que surgiram com força nos painéis e demos.

Primeiro, a ascensão dos «agentic AI» e dos modelos de mundo transformou a narrativa sobre o que é a IA: já não se trata só de acelerar tarefas, mas de criar agentes autónomos que executam fluxos de trabalho e geram valor integrado, o que está a democratizar o desenvolvimento e a exigir uma recalibragem dos indicadores de ROI nas empresas.

Segundo, a economia dos criadores profissionalizou-se, com plataformas e instituições a articular modelos de monetização direta e ferramentas de proveniência que permitem transformar paixão em carreira. Essa profissionalização resulta da combinação entre ferramentas acessíveis de criação e mercados diretos, um fenómeno documentado nas plataformas que permitem prototipagem quase instantânea e na pressão por contratos que remunerem o uso contínuo de conteúdos.

Terceiro, a confiança e a governação voltaram ao centro. Debateram-se normas de atribuição, soberania de dados e arquiteturas alternativas que devolvem controlo ao utilizador, porque sem instituições e regras claras a adoção massiva corre o risco de concentrar rendimentos e erosão informativa.

A estas linhas dominantes somam-se duas perspetivas práticas que surgiram ao longo do evento. A primeira, económica e operacional, é que a IA está a acelerar a chegada de ideias ao mercado, permitindo que startups resolvam micro-problemas com impacto real, sobretudo em saúde, e que o perfil dos fundadores mudou: ferramentas como plataformas de desenvolvimento em linguagem natural reduzem barreiras técnicas, tornando possível que qualquer boa ideia ganhe forma e chegue a protótipo em horas, não meses; isso ficou visível nas demos e em debates sobre impacto em saúde e priorização de intervenções.

A segunda perspetiva é geopolítica: a corrida pela liderança em modelos de IA tornou-se multipolar. O evento sublinhou que a China tem forte protagonismo na produção de modelos potentes, muitos com distribuição open-source, e que isso está a desafiar a primazia das empresas ocidentais; ao mesmo tempo, várias nações, incluindo Portugal, anunciam investimentos estratégicos para atrair capacidade e talento, o que redesenha o mapa da competição tecnológica.

Em síntese, o Web Summit 2025 trouxe uma visão prática: os ganhos da IA já não dependem apenas de modelos melhores, dependem de contratos, infraestruturas e produtos capazes de gerar uso repetido; dependem de modelos de remuneração que preservem a economia criativa; e dependem de uma compreensão geopolítica realista, onde hubs múltiplos disputarão talento e capacidade. As prioridades operacionais derivadas deste quadro são claras, entre elas reajustar KPIs para profundidade de uso, desenhar pilotos de impacto, implementar registos de proveniência para conteúdos e alinhar investimentos em skilling com infraestruturas locais.

O Institute for Tomorrow acompanha os sinais e tendências nos maiores eventos para apoiar o desenho de estratégias de futuros acionáveis com organizações e pessoas.

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