Download SXSW 2026 EP02: o marketing no limite entre tecnologia e humanidade

20 de abril de 2026

Na segunda parada da série especial do TomorrowCast rumo ao Download SXSW 2026, recebemos Loreta Caporrino, Head of Brand da BetMGM, e Mariana Tahan Ralisch, Diretora de Marketing da Wake, para uma conversa que vai além do tradicional “o que vimos no evento”.

O que emerge aqui é mais interessante: não é sobre tendências isoladas, mas sobre como o marketing está sendo pressionado de todos os lados ao mesmo tempo.

E talvez esse seja o principal ponto do episódio.

O SXSW não entregou um manual. Não trouxe frameworks prontos. Não organizou o futuro em slides aplicáveis na segunda-feira seguinte.

Ele expôs tensões.

 

Menos respostas, mais repertório

Existe uma expectativa quase inevitável de quem vai ao SXSW pela primeira vez. A ideia de que, em algum momento, tudo vai fazer sentido, que haverá uma síntese clara do que vem pela frente.

O que Loreta e Mari trazem é o oposto disso.

O festival é maior, mais caótico e mais vivo do que qualquer planejamento. Você anda quilômetros, perde palestras, entra em outras, cruza com ativações inesperadas, encontra pessoas improváveis e, no meio disso tudo, começa a montar uma leitura própria.

Não é sobre assistir conteúdo.

É sobre ser atravessado por ele.

E isso muda o tipo de aprendizado.


IA não é mais novidade é tensão estrutural

A inteligência artificial aparece em praticamente todas as conversas. Mas não como espetáculo.

Ela surge como uma camada já incorporada ao trabalho e, justamente por isso, mais perigosa.

O ponto levantado no episódio é direto: quando todo mundo usa as mesmas ferramentas, na mesma velocidade, com outputs parecidos, o risco não é ficar para trás.

É ficar igual.

Essa talvez seja uma das mudanças mais relevantes para marketing hoje.

A produção aumentou. A eficiência também. Mas isso não significa, necessariamente, mais qualidade, mais criatividade ou mais impacto.

Sem curadoria humana, sem repertório e sem intenção, a IA não eleva o trabalho. Ela padroniza.

E esse é um risco real.


O novo papel do marketing: filtrar, não só produzir

Uma das provocações mais interessantes do episódio é o deslocamento do papel do time de marketing.

Se antes o desafio era produzir campanhas, peças, conteúdo, agora o desafio passa a ser outro: filtrar, interpretar e dar sentido.

Porque produzir ficou fácil.

O que continua difícil é:

  • decidir o que vale a pena existir

  • construir uma voz própria

  • sustentar consistência em meio à velocidade

  • evitar a comoditização da linguagem

Nesse cenário, criatividade deixa de ser só execução.

Vira critério.


A mudança silenciosa: como as pessoas descobrem o mundo

Outro ponto forte da conversa é a transformação da busca.

Durante anos, buscar significava digitar.

Hoje, para uma parte relevante da população, especialmente os mais jovens, buscar significa assistir.

Plataformas como TikTok e Instagram deixam de ser canais de entretenimento e passam a ser interfaces de decisão.

A resposta não vem mais em texto.

Ela vem em vídeo, em demonstração, em opinião, em contexto.

Isso muda profundamente a jornada de consumo e, consequentemente, o marketing.


Creator economy: de tendência a infraestrutura

Dentro desse novo comportamento, a creator economy ganha outro peso.

Não como buzzword. Como sistema.

Loreta e Mari destacam algo que já aparece de forma consistente no mercado: a força dos micro e nano criadores. Menor alcance, maior relevância. Menos audiência massiva, mais credibilidade contextual.

Isso desloca o eixo da comunicação.

A influência não está mais concentrada apenas em grandes campanhas ou grandes nomes. Ela está distribuída em comunidades, nichos e relações de confiança.

E isso vale tanto para B2C quanto, cada vez mais, para B2B.


SXSW como experiência — não só conteúdo

Há um aspecto do episódio que merece atenção: o valor do que acontece fora da agenda.

As conversas inesperadas.

Os encontros casuais.

As ativações no meio do caminho.

Os filmes, os shows, os deslocamentos.

Parte relevante do SXSW acontece nesses intervalos.

Isso reforça uma ideia importante: repertório não se constrói só com informação.

Se constrói com vivência.

E isso, para marketing, faz diferença.


O que fica depois de Austin

Ao final, duas linhas de reflexão aparecem como apostas para o que vem pela frente:

De um lado, a discussão sobre saúde mental, tempo e o impacto humano de uma era orientada por eficiência.

Do outro, o avanço inevitável do debate sobre trabalho – substituição, redefinição de funções e o papel da tecnologia nas decisões.

As duas coisas estão conectadas.

E talvez seja esse o principal aprendizado do episódio.

O futuro do marketing não será definido apenas por novas ferramentas.

Ele será definido por como as marcas equilibram:

  • tecnologia e sensibilidade
  • escala e contexto
  • eficiência e significado

O SXSW continua relevante não porque prevê o futuro com precisão.

Mas porque expõe, com clareza, as tensões que já estão moldando o presente.

E para quem trabalha com marca, marketing e crescimento, entender essas tensões talvez seja mais importante do que qualquer tendência isolada.

Esse é o segundo episódio de uma série que segue até o nosso Download SXSW 2026, oferecido pela CIELO e gravados nos estúdios da Monking.

A ideia não é revisitar o evento.

É acompanhar o que ele começa a provocar.

Se fizer sentido para você: acompanhe o TomorrowCast, ative as notificações, e venha construindo essa leitura com a gente.

Porque o SXSW acabou.

Mas, na prática, é agora que ele começa a impactar de verdade.

Se inscreva em nosso Download – será um dia inteiro de conteúdo – com apresentação do report oficial pela manhã, e paineis incríveis durante a tarde.

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