Ao longo do SXSW 2026, uma mudança foi ficando cada vez mais evidente.
A creator economy não é mais uma camada da comunicação.
Ela está se tornando parte da infraestrutura do mercado.
Não apenas como mídia.
Mas como construção de narrativa, distribuição e conexão.
Encerramos a série especial do TomorrowCast, gravada no estúdio autônomo da SP House em Austin, com um episódio que sintetiza esse movimento a partir de dois pontos de vista complementares.
De um lado, a estrutura.
De outro, a expressão.
A conversa reúne Ana Scavazza, VP de Talentos do Grupo Farol e Fausto Carvalho , o criador do Menzinho e uma das maiores influências na creator economy brasileira, para discutir o presente e, principalmente, o próximo estágio da creator economy.
Do creator como mídia ao creator como sistema
Durante muito tempo, o papel do creator foi tratado como extensão de campanha.
Alcance, engajamento, entrega de mensagem.
Mas esse modelo já não explica o que está acontecendo.
O que emerge agora é um deslocamento mais profundo.
Creators passam a operar como sistemas de influência.
Eles não apenas comunicam.
Eles moldam contexto.
Eles organizam atenção.
Eles participam da construção de valor.
Isso exige uma nova leitura por parte das marcas.
Não é mais sobre contratar audiência.
É sobre construir relevância em conjunto.
Gestão e criação: duas camadas do mesmo movimento
A força deste episódio está justamente na combinação de perspectivas.
Ana Scavazza traz a visão de quem estrutura esse ecossistema, entendendo o papel estratégico dos talentos, a importância da narrativa e a necessidade de posicionar creators dentro das decisões de negócio.
Já Fausto Carvalho representa a outra ponta.
A execução viva.
A presença.
O carisma que não se ensina, mas que, quando existe, transforma qualquer interação em experiência.
Essa dualidade revela um ponto central:
A creator economy não é apenas sobre conteúdo.
É sobre pessoas que operam como ativos de conexão.
Presença é mídia
Um dos sinais mais claros do SXSW está na forma como as relações acontecem.
Negócios que surgem fora das salas.
Conexões que se constroem no fluxo.
Encontros que não estavam no planejamento.
Nesse contexto, alguns creators deixam de ser apenas produtores de conteúdo.
Eles se tornam presença.
E presença, quando bem construída, é mídia.
Não no sentido tradicional.
Mas como capacidade de gerar atenção, engajamento e relacionamento em tempo real.
Narrativa como vantagem competitiva
Outro ponto que emerge com força é a importância da narrativa.
Estar presente não é suficiente.
Produzir conteúdo também não.
É preciso entender a narrativa que está sendo construída.
Quem domina essa narrativa participa da conversa.
Quem não domina, fica fora dela.
Isso vale para creators.
E vale para empresas.
Adaptação deixa de ser diferencial
Se existe uma palavra que atravessa o episódio, é adaptação.
O cenário muda rápido.
Os formatos evoluem.
As plataformas se transformam.
Nesse contexto, adaptação deixa de ser vantagem competitiva.
Passa a ser condição de sobrevivência.
Aqueles que conseguem se mover com o cenário, ajustando linguagem, formato e presença, ganham espaço.
Os que resistem, perdem relevância.
O Brasil já está em movimento
Um dos sinais mais interessantes observados no SXSW 2026 é a presença crescente de creators brasileiros produzindo conteúdo em escala global.
Não apenas consumindo.
Mas participando ativamente da construção de narrativa.
Isso indica algo maior.
O Brasil começa a ocupar espaço não só como mercado.
Mas como produtor de contexto.
E isso tem implicações diretas para marcas, negócios e estratégia.
Encerramos a série. Abrimos o próximo ciclo.
Este episódio encerra a série especial do TomorrowCast gravada durante o SXSW 2026.
Uma jornada que passou por temas como:
– O Brasil como protagonista global, com Franklin Costa.
– O futuro do varejo e do comportamento com Andressa Kucinski
– Infraestrutura, IA e soberania digital, com Ronaldo Lemos.
– E, agora, o papel da creator economy com Ana Scavazza e Fausto Carvalho.
Mas, na prática, esse encerramento marca um início.
Nas próximas semanas, seguimos aprofundando essas leituras, conectando os principais sinais do SXSW e consolidando tudo isso em uma análise estruturada, com implicações reais para negócios.
O que fica
A creator economy não é mais sobre creators.
É sobre como influência, narrativa e presença se tornam parte do sistema que organiza o mercado.
E entender isso não é opcional.
É o que define quem participa do próximo ciclo e quem apenas observa.